Parque Natural da Ria Formosa

 

O Parque Natural da Ria Formosa caracteriza-se pela presença de um cordão dunar arenoso litoral (praias e dunas) que protege uma zona lagunar. Este sistema lagunar de grandes dimensões – estende-se desde o Ancão (concelho de Loulé) até à Manta Rota (concelho de Vila Real de Santo António) – inclui uma grande variedade de habitats: ilhas-barreira, sapais, bancos de areia e de vasa, dunas, salinas, lagoas de água doce e salobra, cursos de água, áreas agrícolas e matas, situação que, desde logo, indicia uma evidente diversidade florística e faunística.

O litoral do concelho de Tavira está integrado no Parque Natural da Ria Formosa, que constitui uma das áreas mais importantes do país para as aves migratórias, com particular destaque para as limícolas e alguns anatídeos.

Dado o elevado potencial produtivo que apresenta, a Ria é, extremamente, importante em termos económicos (constituindo, por exemplo, o maior centro de exploração de amêijoa do país), ecológicos e sociais, sendo de facto a base de sustento de muitas famílias.

Dos habitats aquáticos existentes na Ria Formosa, as salinas e o sapal assumem uma importante expressão em Tavira, sendo que neles podem observar-se um grande número de espécies representativas das zonas húmidas.

As salinas são habitats esculpidos pelo Homem que apresentam um ciclo hidrológico regular, proporcionando condições para o desenvolvimento de complexas teias alimentares entre vários seres vivos. Peixes como o peixe-rei (Atherina sp.) e os cabozes (Gobius sp.), particularmente juvenis, podem viver em salinas com uma concentração elevada de sal. Nas salinas geridas tradicionalmente, a densidade de seres vivos presentes na água é um chamariz para muitas aves, principalmente aves aquáticas invernantes. Para muitas espécies de aves limícolas e aquáticas, as salinas desempenham um importante papel como local de repouso e alimentação. Algumas são também um local de nidificação para algumas espécies de aves, como o perna-longa (Himantopus himantopus), o borrelho-de-coleira-interrompida (Charadrius alexandrinus) e o Alfaiate (Recurvirostra avosetta).

O sapal é caracterizado por possuir uma densa cobertura de vegetação que fica submersa durante a maré-alta e a descoberto durante a maré baixa. Apesar do seu aspecto pouco atraente, o sapal constitui um dos habitats da biosfera com maior produtividade. As águas dos sapais contêm grande quantidade de nutrientes. Por serem águas calmas, constituem um bom local de abrigo e permanência para numerosas espécies de animais, particularmente as marinhas, muitas das quais ali desovam e passam os estádios larvares e juvenis até que chegue o momento de migrarem para o mar, onde completam o ciclo biológico; o sapal funciona, portanto, como “maternidade”. Da conservação do sapal depende a abundância de peixe, moluscos e crustáceos nas águas costeiras, de onde o Homem retira uma parte da sua subsistência. A elevada produtividade do sapal condiciona também o número de aves sedentárias que nele encontram abrigo e alimento. Para as aves migradoras, os sapais da Ria Formosa constituem pontos de paragem fundamentais durante as suas migrações entre a Europa e África.

As plantas de sapal exibem adaptações que lhes permitem sobreviver à submersão periódica pelas marés, ao encharcamento permanente do substrato e aos teores elevados de sal. No sapal baixo domina Spartina marítima (morraça), nas zonas quase permanentemente submersas, e Atriplex portulacoides, Suaeda marítima e Arthrocnemum perenne a níveis mais elevados.

Nas zonas de vasa, podem observar-se, sobretudo durante a baixa-mar, várias aves alimentando-se no lodo. Estas aves são designadas, genericamente, por limícolas e alimentam-se de pequenos organismos (vermes, crustáceos, moluscos) que vivem enterrados na vasa. As aves mais frequentes são a garça-brancapequena (Egretta garzetta), a garça-cinzenta (Ardea cinérea), o perna-longa (Himantopus himantopus), a cegonha-branca (Ciconia ciconia), o perna vermelha (Tringa totanus), o pilrito-comum (Calidris alpina) e o borrelho-de-coleira interrompida (Charadrius alexandrinus).

 

Saiba mais:

Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas

 

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