Património arquitetónico militar


Castelo e Muralhas de Tavira
(Monumento Nacional)

Localização: Largo Abu-Otmane

Após a construção de uma muralha fenícia entre os séculos VIII e VII a. C. passaram-se cerca de catorze séculos sem que nenhum importante aglomerado urbano se tivesse formado nas margens do Gilão. Os muçulmanos retomam a povoação de Tavira, em finais do século X ou inícios do XI, promovendo a construção do castelo no topo da colina de Santa Maria. Uma das suas funções seria proteger o vau do Gilão que permitia o trânsito entre as duas margens, supostamente, antes da construção da ponte.

Ao longo do século XI, a localidade vê a aumentar a sua importância crescendo em direção ao rio. Ali fixa-se uma população que aumenta gradualmente, agregando também os muçulmanos vindos do norte em busca de refúgio nas zonas mais pacatas do sul da Península Ibérica. A uma primeira muralha almorávida, construída, com grande probabilidade, nos finais do século XI ou já no século XII, seguiu-se a reforma almóada (entre 1146 e 1168), período de que datam os seus principais elementos. São consideráveis os restos dessas muralhas, originalmente construídas em taipa. Desse período pode observar-se no atual núcleo museológico islâmico, na Praça da República, o que resta de uma antiga porta em arco de ferradura que, possivelmente, estaria associada a uma torre defensiva. Na zona da atual alcáçova, caindo para a rua da Liberdade, conserva-se uma poderosa torre albarrã hexagonal claramente destacada  das restantes estruturas e que, apesar de refeita, deve ser colocada em paralelo com outras torres poligonais ibéricas de época muçulmana.

Depois de conquistada a cidade pelos cristãos, foram executadas obras no recinto muralhado existindo notícias destas campanhas nos reinados de D. Afonso III (1248-1279) e de D. Dinis (1279-1325). Na Baixa Idade Média, o perímetro amuralhado rondava os cinco hectares, indiciando a importância da vila. Na viragem para a Modernidade, a Porta de D. Manuel I, aberta para a atual Praça da República, tornou-se o eixo de passagem privilegiado entre o interior e o exterior das muralhas, razão do seu enobrecimento com os símbolos manuelinos durante o primeiro quartel do século XVI.

O castelo de Tavira atravessa a idade Moderna chegando à contemporaneidade em estado de ruína e já sem aliciantes infraestruturas (como o palácio do Alcaide-mor). Perdida a utilidade defensiva, o espaço serve de cemitério durante toda a primeira metade do século XIX, conhecendo maior agitação quando uma grave epidemia de cólera investe sobre a cidade em 1832.

Em 1938 a Câmara de Tavira adquire o terreno do castelo, projetando fazer aí um miradouro e ajardinar o interior da fortaleza. Da iniciativa nasce o Jardim do Castelo. À estratégia da autarquia aliou-se o Estado em 1939, que à sombra das celebrações do duplo centenário da fundação e da independência de Portugal declara o castelo de Tavira como Monumento Nacional, recebendo este obras de restauro a cargo da Direção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais.

 

 

Forte de São João da Barra (Monumento de Interesse Público)

Localização: Sítio da Fortaleza, Cabanas.

O Forte da Conceição, ou de São João da Barra, foi mandado edificar em 1670 pelo Capitão Geral do Reino, o Conde de Vale de Reis, para reforçar a proteção da barra da Ria Formosa e o acesso ao porto de Tavira. A história da edificação da fortaleza está, aliás, documentada numa inscrição colocada sobre a porta de entrada, que indica ter sido também o conde quem impulsionou a reconstrução da ponte de Tavira no século XVII.

A planta forma uma estrela de quatro pontas, possuindo baluartes nos ângulos, aos quais se acedem por rampas. O portal principal de arco pleno, virado a terra e antecedido por fosso, possui espaldar, no qual foram colocados o brasão real, a inscrição comemorativa da construção, e uma outra inscrição, datada de 1793, que indica que nesta data a fortaleza foi reedificada por Nuno de Mendonça e Moura, Conde de Vale de Reis, trineto do primeiro edificador do forte da barra de Tavira.

Com o assoreamento da ria e o desvio da barra para nascente, a fortaleza da Conceição perdeu as suas funções militares, tendo o seu espaço sido adaptado, recentemente, a Turismo da Natureza. O projeto de remodelação, da autoria do arquiteto Victor Mestre, aproveitou os edifícios remanescentes no interior da praça de armas, nomeadamente as cavalariças, os paióis, a casa do governador e a capela.

Fonte: IGESPAR

 

Forte do Rato, também denominado Forte de Santo António (Monumento de Interesse Público)

Localização: Foz do rio Gilão, Tavira.

Foi mandado edificar de raiz no reinado de D. Sebastião de forma a proteger a entrada da barra e, simultaneamente, a cidade de Tavira. Esta construção não se veio a mostrar de grande utilidade uma vez que, ainda durante a sua construção, verificaram-se alterações na linha de costa e, consequentemente, na entrada da barra, a qual se desloca, progressivamente para Levante, retirando eficiência defensiva àquela infraestrutura.

Apresenta planta poligonal abaluartada, no interior da praça distingue-se o espaço de aquartelamento, o paiol e um poço.

Após a Restauração, o forte é reconstruído sendo denominado, a partir de então, como Forte de Santo António. Todavia, e segundo parecer do engenheiro Pedro de Santa Colomba, esta fortificação não seria suficiente para proteger a cidade de uma possível invasão, sendo por isso reforçado o castelo da urbe.

Em 1656, com uma nova alteração da barra, foi edificado o forte de São João de Cabanas, sendo o forte de Santo António reduzido a registo juntamente com uma pequena bateria na margem oposta do Gilão.

Numa relação de armamentos de 1792, relata-se o estado do forte, guarnecido por apenas nove homens e duas peças, uma das quais sem apetrechos, servindo apenas de depósito de pólvora. Em 1821, a estrutura encontra-se sem artilharia e com a porta semi-desfeita, sendo que a pólvora se acumula num paiol destelhado e com o forro podre.

Este estado de abandono a que o forte foi votado, não afeta apenas as estruturas defensivas mas também os alojamentos, sendo a guarnição de três homens rendida diariamente por barco.

Em 1830 é desativado como paiol e definitivamente abandonado por ordem do Brigadeiro Governador das Armas do Algarve, Visconde de Molellos, que o considera demasiado dispendioso de manter ou ligar por terra.

 

Quartel da Atalaia (Monumento de Interesse Público)

Localização: Rua Isidoro Pires, Tavira.

Por volta de 1780, devido à transferência do Regimento de Infantaria de Faro para esta cidade, aumenta o número de efetivos militares em Tavira. O facto leva o Governador e Capitão-general do Algarve, Nuno José Fulgêncio de Mendonça Moura Barreto, a exercer a sua influência junto da corte no sentido de se construir um quartel em Tavira, capaz de alojar condignamente o regimento da cidade.

O Quartel da Atalaia, um dos mais antigos do país, é iniciado em 1795 com o beneplácito de D. Maria I, de acordo com a inscrição lapidar que encima o arco da entrada principal. A construção foi interrompida pouco tempo após o seu início, sendo apenas retomada em 1856, depois de atenuados os efeitos de uma conjuntura politica e economicamente desfavorável, de invasões francesas, de permanência da corte no Brasil e de convulsões politicas que conduziram à implantação do Liberalismo e à Guerra Civil. Durante este interregno os militares acolhiam-se em casas particulares até que, em 1835, na sequência da extinção das Ordens Religiosas, é entregue ao exército o antigo Convento de Nossa Senhora da Graça. Aí, rapidamente adaptaram os militares as antigas estruturas religiosas a aquartelamento militar.

Por sua vez, o Quartel da Atalaia, ainda por concluir, servia de hospital de coléricos civis por ocasião da peste que se abateu sobre a cidade em 1833. O edifício ficará concluído somente nos primeiros anos do século XX, só então para lá se transfere a guarnição de Tavira.

Trata-se de um rico exemplar de arquitetura militar. Apresenta planta retangular composta por corpos ligados em torno de um amplo pátio central interior. O maior interesse reside na fachada principal, constituída por um solene corpo central que forma a porta de armas, dois pavilhões de telhado simples de quatro águas com mansardas, terraços cercados por balaustrada e, nas extremidades, torreões com duplo telhado. Embora o recorte dos vãos, de inspiração barroca, revele o gosto cortesão próprio da época de D. Maria I, poderá estar aqui presente a lição da arquitetura pombalina da recém-fundada Vila Real de Santo António, em cuja implantação colaborou o engenheiro militar José Sande de Vasconcelos (1730 - 1808), destacado para o Algarve cerca de 1772 e possível autor do projeto deste quartel.

No decurso do século XX, o edifício sofre algumas alterações funcionais. Assim, em 1950 é construído um novo refeitório, em 1954 é calcetado o pátio da parada e em 1970 é adicionado um segundo piso nas alas laterais, para servir de novas casernas.

 

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